O Grupo

Diapasão – por Artur Andrés do Grupo UAKTI

Este é um daqueles raros momentos em que se podem sentir novos ventos musicais que sopram pelas montanhas de Minas. Isso não é algo corriqueiro, só acontece de tempos em tempos e de forma cíclica, com largos períodos de pausa e gestação. Desta vez, no epicentro dessa vertente musical, uma nova geração de talentosos e bem preparados músicos e compositores desponta, expressando sua música tanto pela voz quanto pelos instrumentos. Nesse contexto, o grupo Diapasão surge como um dos mais promissores representantes da nova música instrumental mineira. Quando conheci o trabalho do Diapasão, há alguns anos, ainda em sua formação de trio, não poderia supor que, pouco tempo depois, sua nova formação, com outros músicos, pudesse de tal forma ampliar o leque de sonoridades e colorido musical do grupo. Essa formação ampliada trouxe também uma maior diversidade de repertório para o grupo, já que todos os seus membros se dedicam, com muito talento e competência, à composição e ao arranjo. Aliando-se a isso, a improvisação é também um elemento importante na linguagem musical do Diapasão, que busca contrapor aos seus complexos e bem elaborados arranjos, momentos de liberdade e leveza, oriundos dessa forma livre de expressão musical. Gravado ao vivo, na Sala Juvenal Dias - Palácio das Artes, o disco prima pela qualidade técnica de gravação e pela maturidade e competência musical desses cinco jovens e talentosos músicos que compõem o grupo Diapasão. Como ouvintes, beneficiados pelo registro desse magnífico encontro musical, só podemos desejar a eles sucesso e energia para continuarem caminhando. E que muitos novos trabalhos possam vir como frutos dessa feliz parceria.

O Grupo Diapasão

Diapasão é um grupo de música instrumental de sonoridade singular. A musicalidade brasileira está fortemente presente e a liberdade criativa de cada um dos músicos componentes gera uma mescla de texturas e cores harmônicas, melódicas e rítmicas, produzindo sensações que vão da euforia à introspecção, da paz serena à caótica agitação. Composto por Alexandre Andrés (Flautas), Rodrigo Lana (Piano), Gustavo Amaral (Baixo e bandolim), Adriano Goyatá (Bateria e Marimba de vidro) e Leandro César (Violão, bandolim e outros) o grupo e se uniu para criar coletivamente uma música instrumental sem rótulos. Com idéias, sentimentos e técnica, seus integrantes produzem uma música contemporânea e autêntica, com arranjos sofisticados e liberdade de improvisação.

Suas produções possuem influências que vão desde a música de Villa Lobos a elementos da música de culturas populares, como o Maracatu e Congado, escolas como o minimalismo, a música universal de Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, além da música mineira de ícones como Milton Nascimento e Toninho Horta. A utilização de instrumentos alternativos, construídos pelo integrante Leandro César, aliada aos instrumentos convencionais, traz um novo prisma de possibilidades para a criação da sonoridade do grupo, proporcionando ao ouvinte uma confluência de sensações e surpresas.

De Belo Horizonte - MG, em 2004, gravou seu primeiro álbum em 2005 intitulado Opus I, lançado em 2006 pelo selo carioca Masque Records. Em 2009, Alexandre Andrés foi vencedor do IX Prêmio BDMG Instrumental nas categorias Composição e Melhor Arranjo, acompanhado pelo grupo. Em 2010 gravou o EP Fogo no Balão, lançado e disponibilizado em nosso site oficial. O grupo já se apresentou em importantes palcos da música instrumental, como Jazz a La Calle – Uruguay, Mostra de Música Instrumental com Benjamim Taubkin, Savassi Jazz Festival - MG, Festa da Música - MG, Sesc Instrumental - SP, dentre outros.

Em 2011 lançou seu segundo disco, “Ao vivo”, gravado em outubro de 2010 na Sala Juvenal Dias – Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e depois mixado e masterizado no Estúdio Engenho. André Tavares garantiu um ótimo nível de qualidade técnica do áudio oferecendo ao ouvinte um trabalho realizado com muita dedicação e carinho. Realizado de forma independente, o trabalho foi lançado em julho de 2011 no Savassi Festival 2011. O disco apresenta uma reunião de músicas inéditas de Rodrigo Lana, Leandro César, Alexandre Andrés e Gustavo Amaral, revelando trabalhos de composição individual e processos de criação coletiva. Conta com a participação especial de Ayran Nicodemo. O violinista imprime sua sonoridade nas faixas Ganesha e Balãozinho. Os arranjos privilegiam o grupo, e a pluralidade de cada instrumentista, Bateria, Marimba de Vidro, Piano, Violão, Bandolim, Percussão, Baixo e Flautas criam uma paleta de cores que pintam no tempo uma música de infinitas possibilidades.